segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Capítulo 1 – Mudança... de Casa

Hoje era só um dia como os outros: comum, irrelevante, calor, desprezível. As horas fixavam-se naqueles pequenos ponteiros do relógio. Não passavam... Davam-lhe o sentimento que gostava de chamar ócio colérico, o qual, lembrava-se muito bem, o perseguia desde o dia da mudança de casa. E que mudança! Não havia luz, a casa era um verdadeiro pandemônio, o sofá estava de cabeça para baixo, a vizinha estava berrando com as filhas... Enfim, uma porta aberta a qualquer um que desejasse conhecer ao menos um pouco do seu amigo inseparável, o adorável ócio colérico.

Naquela manhã de segunda, como sempre, abafada, acordara já pensando nela... Sim, aquela mocinha não lhe saía da mente por dias, e, por mais que tentasse evitar, não conseguiria parar. E não pararia mesmo, seja pelo falso prazer que lhe proporcionava, seja pela ilusão de que algum dia isso se realizaria. Tanto faz. A única coisa de que sabia, realmente, era a impossibilidade de isso dar certo na sua vida, visto o grande fracasso como pessoa que era. Fracasso, fracasso, fracasso... Esta palavra tornara-se quase um mantra para dele, e, diga-se de passagem, uma regra na sua vida amorosa.

Mas, felizmente ou infelizmente, ainda podia fantasiar. Não o tipo de fantasias que um cara sexualmente descontrolado comumente teria. Não. Estava longe de ser um Calibã encarniçado da vida, procurando vorazmente por mulheres, mas também cansado do potencial eremita que carregava dentro de si.

Mas aquela garota... Ela fazia despertar sentimentos fora do comum. Fazia-o pensar nos momentos tenros, na luz do sol contra seus olhos, no farfalhar de cabelos ao vento e outras baboseiras. Entretanto, já sabia no que tudo resultaria: fracasso! Já acontecera antes, desta vez não seria exceção. Ou seria?

Não surpreendentemente, pegou-se visualizando-a desprotegida, corpo em chamas, chamando seu nome. Ridículo, simplesmente ridículo – concluiu. Ok, garotão, hora de parar... E foi o que fizera. Finalmente. Murmurou baixinho algumas poucas palavras ininteligíveis, afastando-se, ao menos momentaneamente, de sua imaginação.

Havia ainda muita coisa a fazer na casa e teria que terminar tudo hoje. Amanhã começava sua penosa peregrinação à procura de algum lugar imundo que aceitasse uma alma pífia para trabalhar. Seria bom se ele conseguisse um emprego na mesma empresa que ela. Droga, pare com isso homem!

3 comentários:

Thulio Dias Gomes disse...

Aê! Obrigado por ouvir seus leitores. Gostei do texto e o final, que não havia na versão anterior, me rendeu boas gargalhadas. Aguardando a próxima mudança.

marz disse...

tá, próximo :P

Jenny disse...

Minino...investe nisso!