quinta-feira, 15 de outubro de 2009

"I'm always, always somewhere else
And I don't deserve your grace,
Don't deserve it...
So would you save my life?
Would you tell me I'm ok?
Would you love me, love me still
When it's all that I can say?"

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

“Disseste-me que eu não era bonito
E eu acreditei
Disseste que eu não era especial
Então, vivi daquele jeito...”


A suave canção tocava na caixa de som do computador. Era uma de suas músicas preferidas. Embora o fizesse lembrar as vezes que falhara e as oportunidades que negligenciara, às vezes, por ignorância, trazia-lhe uma espécie de conforto. Alguém no mundo se sentira também daquele jeito: feio, sozinho, imundo.

“...Mas Deus ama o que é feio
Ele não vê do jeito que vejo...”


Lágrimas sempre vinham em seus olhos nesta parte. Sabia que Deus amava-o, que era seu grande amigo e que jamais o abandonaria, mas, apesar de tudo isso, ele não se sentia bonito, limpo. Sua aparência não era das piores, teria de concordar, mas internamente, no mais fundo de onde corria-lhe sangue, havia um vazio, uma porção oca como tronco de um bambu.
Estaria Jesus cego para não ver tudo que ele era?
Pensando bem, a pergunta correta seria: o que Jesus teria para ver nele? Ele não era nada. Já comprovara isso inúmeras vezes. Tentara tanto agradar as pessoas, sorrir enquanto deveria chorar, dar em vez de receber... Tentara tudo, mas continuara o mesmo. Talvez a vida seja um fardo que devemos carregar.
Talvez.

Penosamente, imaginava-se contanto este tipo de coisas a outra pessoa. Conversar com alguém bem íntimo sobre os problemas da vida, suas expectativas e tudo o mais. Tinha medo de parecer um idiota qualquer, sabia bem disso, mas se um dia isso acontecesse poderia liberá-lo dos fantasmas interiores que lhe consumiam o ser...
Fantasmas? Que fantasmas?
Não saberia responder. Mas algo estava errado. Tinha de estar.
Esse sentimento inconspícuo e remanescente consumia-lhe todos os dias e não saberia dizer o porquê. Só sabia que era um infeliz, um mendigo clamando por piedade dum estranho...

“Conversar com alguém bem íntimo sobre os problemas da vida...”
Esse pensamente voltou a sua mente. Ele nunca fora capaz de falar sobre sentimentos, sobre coisas profundas com ninguém. Sempre fora um idiota com as palavras. Às vezes era difícil suportar sua própria voz audível exacerbando as emoções internas.
Pensando bem, não seria grande idéia falar abertamente com essa suposta pessoa. Ele poderia estragar tudo de novo. Era sua especialidade.

11:47!

Já estava na hora de fazer algo em vez de ficar deitado no colchão afogando-se em autocomiseração. Já havia luz no apartamento e quase todas as coisas estavam em seus devidos lugares, exceto o porta retrato da tia Celeste que permanecia caído no meio dos livros.
Tomou um banho rápido para aliviar o calor, colocou uma roupa socialmente aceitável e partiu à procura de algo que lhe trouxesse dinheiro.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Ela não aguentaria mais. Chega dessas horas imensas de trabalho, essa exploração abusiva. Tudo bem a parte de ser mulher e, fatalmente, por ter seios, ganhar menos que os homens, que, por sua vez, não têm seios e nem cérebro. Odiava essa regra imbecil, mas a aceitara muito bem, obrigado. Poderia aturar salários menores, discussões com o chefe, fofocas das suas subordinas na área do cafezinho sobre seu jeito e aparência... Tudo. Só não suportaria as cantadas daqueles crápulas que rondavam área de recursos humanos. Não mais.

Caminhou com sua cara emburrada até a sala do chefe, outro cretino que tinha casos supostamente secretos com suas secretárias, faxineiras, vedetes e, se possível, com as garotas da área de RH. Imbecil.

Seu chefe, dono das grandes agências MORÁZ de Comunicação, estava, como sempre, envolto numa fumaça cinza e mal cheirosa de tabaco queimado. Será que ele já sabia por que ela estava ali? Com certeza. E se não sabia, saberia agora mesmo. Sustentou-lhe um olhar mortal por incontáveis segundos até que ele desviasse os olhos dos dela. Um risinho completamente hipócrita atravessou seu semblante masculino e barbado. Patético!

A porta se fechou num baque. Exatamente dezessete minutos e vinte e nove segundos depois, a maçaneta girou e do interior da sala saía uma mulher triste, desempregada e livre! Pegou tudo que era seu de uma vez e foi embora. Não se despediu de ninguém.

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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Capítulo 1 – Mudança... de Casa

Hoje era só um dia como os outros: comum, irrelevante, calor, desprezível. As horas fixavam-se naqueles pequenos ponteiros do relógio. Não passavam... Davam-lhe o sentimento que gostava de chamar ócio colérico, o qual, lembrava-se muito bem, o perseguia desde o dia da mudança de casa. E que mudança! Não havia luz, a casa era um verdadeiro pandemônio, o sofá estava de cabeça para baixo, a vizinha estava berrando com as filhas... Enfim, uma porta aberta a qualquer um que desejasse conhecer ao menos um pouco do seu amigo inseparável, o adorável ócio colérico.

Naquela manhã de segunda, como sempre, abafada, acordara já pensando nela... Sim, aquela mocinha não lhe saía da mente por dias, e, por mais que tentasse evitar, não conseguiria parar. E não pararia mesmo, seja pelo falso prazer que lhe proporcionava, seja pela ilusão de que algum dia isso se realizaria. Tanto faz. A única coisa de que sabia, realmente, era a impossibilidade de isso dar certo na sua vida, visto o grande fracasso como pessoa que era. Fracasso, fracasso, fracasso... Esta palavra tornara-se quase um mantra para dele, e, diga-se de passagem, uma regra na sua vida amorosa.

Mas, felizmente ou infelizmente, ainda podia fantasiar. Não o tipo de fantasias que um cara sexualmente descontrolado comumente teria. Não. Estava longe de ser um Calibã encarniçado da vida, procurando vorazmente por mulheres, mas também cansado do potencial eremita que carregava dentro de si.

Mas aquela garota... Ela fazia despertar sentimentos fora do comum. Fazia-o pensar nos momentos tenros, na luz do sol contra seus olhos, no farfalhar de cabelos ao vento e outras baboseiras. Entretanto, já sabia no que tudo resultaria: fracasso! Já acontecera antes, desta vez não seria exceção. Ou seria?

Não surpreendentemente, pegou-se visualizando-a desprotegida, corpo em chamas, chamando seu nome. Ridículo, simplesmente ridículo – concluiu. Ok, garotão, hora de parar... E foi o que fizera. Finalmente. Murmurou baixinho algumas poucas palavras ininteligíveis, afastando-se, ao menos momentaneamente, de sua imaginação.

Havia ainda muita coisa a fazer na casa e teria que terminar tudo hoje. Amanhã começava sua penosa peregrinação à procura de algum lugar imundo que aceitasse uma alma pífia para trabalhar. Seria bom se ele conseguisse um emprego na mesma empresa que ela. Droga, pare com isso homem!

Rabiscos

Juntem-se os fatos de que, ultimamente, tenho algum tempo disponível e odeio ver televisão, acabo tendo tempo para escrever... Nos próximos posts, alguns capítulos que andei - e andarei - rabiscando por aí. Vamos ver no que dá!

domingo, 5 de julho de 2009

Love

"When your heart is created for love,
and you have no idea what love is...
You have to search until you find something."

Escrever...

"Escrever é escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever..."

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Mulas

"Não existe mula-sem-cabeça.
Deus só fez a mula
com cabeça"

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Anomalia

Tornei-me anômalo,
E meu nome já não chamam.
O mundo é feito de desconhecidos,
Desconhecidos desencantos.

Neste mundo notável não sou,
Disforme tornei-me.
Não vou nem venho
Sou pedinte, mendigo.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Àquele


Àquele que compraz-se em dizer torpeza,
Àquele que jubila ao romper a alma,
Que dança entre os mortos,
Que possui caminhos tortos:

Subjulgado será;
Sua própria alegria o matará.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Surpresa

Tentaste enganar-me com teu olhar,
com teu modo de acalentar.
Mas surpresa! Já não consegues disfarçar
a mentira do teu falar.

Só uma coisa...

Estou cagando

e andando para ti.