Foi quando a moça e o moço estrangeiros chegaram à igreja que meu avô disse:
- Olha como é sabida essa gente! Eles puxam o “s”da língua e tudo.
Fiquei encasquetado com isso lá em casa. Eu também queria ser inteligente e puxar som diferente da língua.
Meu avô disse que eu não podia mais ser estrangeiro, então pedi para ele comprar um par de oclinhos para mim – as pessoas mais sabidas sempre têm um. No começo ele não quis me dar não, mas pedi com tanto jeito, fiz até cara de cachorro faminto, que ele acabou me levando numa doutora que pudesse receitar uns óculos bem baratinhos.
Deu raiva quando saí da portinha branca... A doutora, além de não me receitar os óculos, mandou comprar umas tais lentes de olho que iam custar os olhos da cara (palavras do vovô), para melhorar meu caso. E eu, que queria ser inteligente, ia ser só inteligente disfarçado! Ainda bem que ninguém da família teve dinheiro para comprar o remédio para minha burrice e eu fiquei com meus dois olhos no exato lugar onde sempre estiveram.
... Agora, depois do colégio, eu ando treinando as palavras com “s”.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
?
Tua coragem pegunta-me: "De que tens medo? E o que sabes sobre amor?"
Tua coragem me questiona: "De que és feito? Que conheces sobre Deus?"
Tua coragem me questiona: "De que és feito? Que conheces sobre Deus?"
Torneira
Pinga, pinga, gota, gota
A válvula está solta
Minha torneira está vazando
Totalmente fora de comando
Minha torneira vazando está
Isso não é linguagem figurada
Também não é coisa armada
Vou consertar pra não me afogar
Pinga, pinga, molha, molha
Até quando? que demora!
E a água vai tomando
meu chão está encharcando
Vou fazer mandinga, olha:
Quando eu contar até três
Você finge que para de vez...
Molha, gota, pinga, molha
A válvula está solta
Minha torneira está vazando
Totalmente fora de comando
Minha torneira vazando está
Isso não é linguagem figurada
Também não é coisa armada
Vou consertar pra não me afogar
Pinga, pinga, molha, molha
Até quando? que demora!
E a água vai tomando
meu chão está encharcando
Vou fazer mandinga, olha:
Quando eu contar até três
Você finge que para de vez...
Molha, gota, pinga, molha
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
“Disseste-me que eu não era bonito
E eu acreditei
Disseste que eu não era especial
Então, vivi daquele jeito...”
A suave canção tocava na caixa de som do computador. Era uma de suas músicas preferidas. Embora o fizesse lembrar as vezes que falhara e as oportunidades que negligenciara, às vezes, por ignorância, trazia-lhe uma espécie de conforto. Alguém no mundo se sentira também daquele jeito: feio, sozinho, imundo.
“...Mas Deus ama o que é feio
Ele não vê do jeito que vejo...”
Lágrimas sempre vinham em seus olhos nesta parte. Sabia que Deus amava-o, que era seu grande amigo e que jamais o abandonaria, mas, apesar de tudo isso, ele não se sentia bonito, limpo. Sua aparência não era das piores, teria de concordar, mas internamente, no mais fundo de onde corria-lhe sangue, havia um vazio, uma porção oca como tronco de um bambu.
Estaria Jesus cego para não ver tudo que ele era?
Pensando bem, a pergunta correta seria: o que Jesus teria para ver nele? Ele não era nada. Já comprovara isso inúmeras vezes. Tentara tanto agradar as pessoas, sorrir enquanto deveria chorar, dar em vez de receber... Tentara tudo, mas continuara o mesmo. Talvez a vida seja um fardo que devemos carregar.
Talvez.
Penosamente, imaginava-se contanto este tipo de coisas a outra pessoa. Conversar com alguém bem íntimo sobre os problemas da vida, suas expectativas e tudo o mais. Tinha medo de parecer um idiota qualquer, sabia bem disso, mas se um dia isso acontecesse poderia liberá-lo dos fantasmas interiores que lhe consumiam o ser...
Fantasmas? Que fantasmas?
Não saberia responder. Mas algo estava errado. Tinha de estar.
Esse sentimento inconspícuo e remanescente consumia-lhe todos os dias e não saberia dizer o porquê. Só sabia que era um infeliz, um mendigo clamando por piedade dum estranho...
“Conversar com alguém bem íntimo sobre os problemas da vida...”
Esse pensamente voltou a sua mente. Ele nunca fora capaz de falar sobre sentimentos, sobre coisas profundas com ninguém. Sempre fora um idiota com as palavras. Às vezes era difícil suportar sua própria voz audível exacerbando as emoções internas.
Pensando bem, não seria grande idéia falar abertamente com essa suposta pessoa. Ele poderia estragar tudo de novo. Era sua especialidade.
11:47!
Já estava na hora de fazer algo em vez de ficar deitado no colchão afogando-se em autocomiseração. Já havia luz no apartamento e quase todas as coisas estavam em seus devidos lugares, exceto o porta retrato da tia Celeste que permanecia caído no meio dos livros.
Tomou um banho rápido para aliviar o calor, colocou uma roupa socialmente aceitável e partiu à procura de algo que lhe trouxesse dinheiro.
E eu acreditei
Disseste que eu não era especial
Então, vivi daquele jeito...”
A suave canção tocava na caixa de som do computador. Era uma de suas músicas preferidas. Embora o fizesse lembrar as vezes que falhara e as oportunidades que negligenciara, às vezes, por ignorância, trazia-lhe uma espécie de conforto. Alguém no mundo se sentira também daquele jeito: feio, sozinho, imundo.
“...Mas Deus ama o que é feio
Ele não vê do jeito que vejo...”
Lágrimas sempre vinham em seus olhos nesta parte. Sabia que Deus amava-o, que era seu grande amigo e que jamais o abandonaria, mas, apesar de tudo isso, ele não se sentia bonito, limpo. Sua aparência não era das piores, teria de concordar, mas internamente, no mais fundo de onde corria-lhe sangue, havia um vazio, uma porção oca como tronco de um bambu.
Estaria Jesus cego para não ver tudo que ele era?
Pensando bem, a pergunta correta seria: o que Jesus teria para ver nele? Ele não era nada. Já comprovara isso inúmeras vezes. Tentara tanto agradar as pessoas, sorrir enquanto deveria chorar, dar em vez de receber... Tentara tudo, mas continuara o mesmo. Talvez a vida seja um fardo que devemos carregar.
Talvez.
Penosamente, imaginava-se contanto este tipo de coisas a outra pessoa. Conversar com alguém bem íntimo sobre os problemas da vida, suas expectativas e tudo o mais. Tinha medo de parecer um idiota qualquer, sabia bem disso, mas se um dia isso acontecesse poderia liberá-lo dos fantasmas interiores que lhe consumiam o ser...
Fantasmas? Que fantasmas?
Não saberia responder. Mas algo estava errado. Tinha de estar.
Esse sentimento inconspícuo e remanescente consumia-lhe todos os dias e não saberia dizer o porquê. Só sabia que era um infeliz, um mendigo clamando por piedade dum estranho...
“Conversar com alguém bem íntimo sobre os problemas da vida...”
Esse pensamente voltou a sua mente. Ele nunca fora capaz de falar sobre sentimentos, sobre coisas profundas com ninguém. Sempre fora um idiota com as palavras. Às vezes era difícil suportar sua própria voz audível exacerbando as emoções internas.
Pensando bem, não seria grande idéia falar abertamente com essa suposta pessoa. Ele poderia estragar tudo de novo. Era sua especialidade.
11:47!
Já estava na hora de fazer algo em vez de ficar deitado no colchão afogando-se em autocomiseração. Já havia luz no apartamento e quase todas as coisas estavam em seus devidos lugares, exceto o porta retrato da tia Celeste que permanecia caído no meio dos livros.
Tomou um banho rápido para aliviar o calor, colocou uma roupa socialmente aceitável e partiu à procura de algo que lhe trouxesse dinheiro.
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