segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Ela não aguentaria mais. Chega dessas horas imensas de trabalho, essa exploração abusiva. Tudo bem a parte de ser mulher e, fatalmente, por ter seios, ganhar menos que os homens, que, por sua vez, não têm seios e nem cérebro. Odiava essa regra imbecil, mas a aceitara muito bem, obrigado. Poderia aturar salários menores, discussões com o chefe, fofocas das suas subordinas na área do cafezinho sobre seu jeito e aparência... Tudo. Só não suportaria as cantadas daqueles crápulas que rondavam área de recursos humanos. Não mais.

Caminhou com sua cara emburrada até a sala do chefe, outro cretino que tinha casos supostamente secretos com suas secretárias, faxineiras, vedetes e, se possível, com as garotas da área de RH. Imbecil.

Seu chefe, dono das grandes agências MORÁZ de Comunicação, estava, como sempre, envolto numa fumaça cinza e mal cheirosa de tabaco queimado. Será que ele já sabia por que ela estava ali? Com certeza. E se não sabia, saberia agora mesmo. Sustentou-lhe um olhar mortal por incontáveis segundos até que ele desviasse os olhos dos dela. Um risinho completamente hipócrita atravessou seu semblante masculino e barbado. Patético!

A porta se fechou num baque. Exatamente dezessete minutos e vinte e nove segundos depois, a maçaneta girou e do interior da sala saía uma mulher triste, desempregada e livre! Pegou tudo que era seu de uma vez e foi embora. Não se despediu de ninguém.

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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Capítulo 1 – Mudança... de Casa

Hoje era só um dia como os outros: comum, irrelevante, calor, desprezível. As horas fixavam-se naqueles pequenos ponteiros do relógio. Não passavam... Davam-lhe o sentimento que gostava de chamar ócio colérico, o qual, lembrava-se muito bem, o perseguia desde o dia da mudança de casa. E que mudança! Não havia luz, a casa era um verdadeiro pandemônio, o sofá estava de cabeça para baixo, a vizinha estava berrando com as filhas... Enfim, uma porta aberta a qualquer um que desejasse conhecer ao menos um pouco do seu amigo inseparável, o adorável ócio colérico.

Naquela manhã de segunda, como sempre, abafada, acordara já pensando nela... Sim, aquela mocinha não lhe saía da mente por dias, e, por mais que tentasse evitar, não conseguiria parar. E não pararia mesmo, seja pelo falso prazer que lhe proporcionava, seja pela ilusão de que algum dia isso se realizaria. Tanto faz. A única coisa de que sabia, realmente, era a impossibilidade de isso dar certo na sua vida, visto o grande fracasso como pessoa que era. Fracasso, fracasso, fracasso... Esta palavra tornara-se quase um mantra para dele, e, diga-se de passagem, uma regra na sua vida amorosa.

Mas, felizmente ou infelizmente, ainda podia fantasiar. Não o tipo de fantasias que um cara sexualmente descontrolado comumente teria. Não. Estava longe de ser um Calibã encarniçado da vida, procurando vorazmente por mulheres, mas também cansado do potencial eremita que carregava dentro de si.

Mas aquela garota... Ela fazia despertar sentimentos fora do comum. Fazia-o pensar nos momentos tenros, na luz do sol contra seus olhos, no farfalhar de cabelos ao vento e outras baboseiras. Entretanto, já sabia no que tudo resultaria: fracasso! Já acontecera antes, desta vez não seria exceção. Ou seria?

Não surpreendentemente, pegou-se visualizando-a desprotegida, corpo em chamas, chamando seu nome. Ridículo, simplesmente ridículo – concluiu. Ok, garotão, hora de parar... E foi o que fizera. Finalmente. Murmurou baixinho algumas poucas palavras ininteligíveis, afastando-se, ao menos momentaneamente, de sua imaginação.

Havia ainda muita coisa a fazer na casa e teria que terminar tudo hoje. Amanhã começava sua penosa peregrinação à procura de algum lugar imundo que aceitasse uma alma pífia para trabalhar. Seria bom se ele conseguisse um emprego na mesma empresa que ela. Droga, pare com isso homem!

Rabiscos

Juntem-se os fatos de que, ultimamente, tenho algum tempo disponível e odeio ver televisão, acabo tendo tempo para escrever... Nos próximos posts, alguns capítulos que andei - e andarei - rabiscando por aí. Vamos ver no que dá!