sábado, 14 de junho de 2008

Menino

... E aquilo ficou soando em minha mente... O pipilar das aves, a calma brisa e o sol ardente contrastavam rigidamente com todo o remanescente da paisagem. O banco, uma péssima construção de pedras pintadas de verde, tornava ainda mais incômodo o lugar e mantinha aquele aspecto interiorano de cidadezinha pacata.

Conforme a insegurança me enleava, o tempo foi vagueando e o silêncio estendeu-se num enorme véu invisível, perturbador.

Subitamente minha voz tornou-se audível, através de todo temor, de todo pejo lancinante, e deixei meu coração guiar a fala.

Contudo, das cem mil palavras que era desejoso dizer, poucas encontraram caminho em minha boca. Senti-me menino tolo, criança inocente, que seu primeiro beijo anseia experimentar.

"Eu te amo" era tudo o que eu gostaria de dizer naquele eterno momento, mesmo que tu já o soubeste.

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