Foi quando a moça e o moço estrangeiros chegaram à igreja que meu avô disse:
- Olha como é sabida essa gente! Eles puxam o “s”da língua e tudo.
Fiquei encasquetado com isso lá em casa. Eu também queria ser inteligente e puxar som diferente da língua.
Meu avô disse que eu não podia mais ser estrangeiro, então pedi para ele comprar um par de oclinhos para mim – as pessoas mais sabidas sempre têm um. No começo ele não quis me dar não, mas pedi com tanto jeito, fiz até cara de cachorro faminto, que ele acabou me levando numa doutora que pudesse receitar uns óculos bem baratinhos.
Deu raiva quando saí da portinha branca... A doutora, além de não me receitar os óculos, mandou comprar umas tais lentes de olho que iam custar os olhos da cara (palavras do vovô), para melhorar meu caso. E eu, que queria ser inteligente, ia ser só inteligente disfarçado! Ainda bem que ninguém da família teve dinheiro para comprar o remédio para minha burrice e eu fiquei com meus dois olhos no exato lugar onde sempre estiveram.
... Agora, depois do colégio, eu ando treinando as palavras com “s”.
7 comentários:
Para com isso, só eu te leio! =P
Parabéns, Felipinho, é uma honra morar com um poeta.
Que bonitinho!
nascido e criado em Terê! rs
E um viva ao puxar os S's
=)
Vamos atualizar o blog, vamos? Come on ._. It's all good stuff.
OMG! Que fofinho! Rende um enredo de curta-metragem!
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